Há quanto tempo esta espécie não nidifica em Portugal? E porque razões?

A águia-pesqueira ou guincho (Pandion haliaetus), como a espécie era conhecida na costa portuguesa, extinguiu-se como reprodutora em 1997, após um longo processo de declínio iniciado no início do século XX. A principal causa do declínio terá sido a perseguição sistemática aos “nocivos” fomentada pelo Estado a partir de 1938 e que se terá prolongado até à proteção legal da espécie em 1967, embora a proteção efetiva da espécie só tenha ocorrido com a criação das áreas protegidas costeiras e sobretudo com a interdição da caça em toda a costa rochosa em 1983. Adicionalmente, a ocupação urbana e urbano-turística da costa rochosa a partir da década de 1920 reduziu progressivamente o habitat disponível para a reprodução da espécie, entretanto tornada extremamente sensível à presença humana por décadas de perseguição.
Mais recentemente, o aumento da carga humana na costa vicentina, último reduto da espécie a partir da década de 1980, o défice de recrutamento e a ausência de medidas de conservação pró-activas conduziram à extinção da pequena população residual então existente, que passou de três a dois casais em 1978 e, posteriormente, a um único casal em 1992. Este manteve-se até à morte acidental da fêmea em 1997 e, ao desaparecimento final do macho restante, em 2002.

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